O advogado de inventário faz três coisas que ninguém mais faz no procedimento: identifica quem são os herdeiros de direito, define como os bens serão divididos e responde por essa divisão. O cartório formaliza o que ele redigiu.
Entender esse papel ajuda a saber o que perguntar e o que esperar de quem vai conduzir o caso da sua família.
O que o advogado de inventário faz, na prática
A lista de atos é mais concreta do que costuma parecer:
- Levanta o patrimônio deixado, incluindo bens que a família às vezes desconhece — participações societárias, consórcios, previdência privada, saldos de FGTS e PIS.
- Verifica o regime de bens do casamento e separa o que é meação do cônjuge do que é efetivamente herança.
- Identifica os herdeiros necessários, o que nem sempre coincide com quem a família considera herdeiro.
- Levanta as dívidas e define como serão tratadas antes da partilha.
- Calcula os quinhões e propõe uma forma de divisão que funcione, inclusive quando há bens indivisíveis, como um único imóvel para três herdeiros.
- Apura o imposto e conduz o recolhimento.
- Redige a minuta da escritura ou a petição inicial, conforme a via.
- Acompanha o registro final dos bens, que é o que efetivamente transfere a propriedade.
Quando ele é obrigatório
Sempre. Não há inventário sem advogado, seja em cartório, seja em juízo, seja mesmo quando não há bens a partilhar.
A base legal está em inventário extrajudicial precisa de advogado?
Um advogado para todos ou um para cada herdeiro?
O critério é a existência de conflito de interesses.
Quando os herdeiros estão de acordo — que é a premissa do inventário extrajudicial — um único profissional pode atuar por todos, e isso simplifica e barateia o procedimento.
Quando há divergência sobre a divisão, questionamento sobre a condição de herdeiro de alguém, ou discussão sobre doações feitas em vida, cada parte precisa de orientação própria. Nesses casos, o caso provavelmente já deixou de ser extrajudicial.
O que observar antes de decidir
Alguns critérios objetivos ajudam a avaliar qualquer profissional:
- Experiência específica em sucessões. Direito das sucessões tem particularidades que não se aprendem na prática geral.
- Clareza ao explicar o cálculo. Se você não entendeu como se chegou ao valor, peça que expliquem de novo. A conta tem lógica e ela é explicável.
- Formalização da proposta por escrito, com escopo e etapas definidos.
- Disposição para dizer o que não é possível. Um profissional que concorda com tudo na primeira conversa raramente examinou o caso.
Esses critérios valem para qualquer escritório, inclusive na hora de comparar. A ideia aqui é que você tenha parâmetro para escolher — não que escolha um nome específico.
Bens em mais de um estado
É uma situação mais comum do que parece: um imóvel em Curitiba, um sítio no interior de outro estado, uma conta em um banco de São Paulo.
O inventário corre em um único procedimento, mas cada bem pode exigir certidões locais e registro no cartório da sua própria matrícula. Isso não impede a via extrajudicial nem obriga a família a se deslocar.
Como a escolha do tabelionato é, em regra, livre, e boa parte dos atos pode ser praticada por procuração, a condução à distância é plenamente viável.
O procedimento completo está descrito em como funciona o inventário extrajudicial.
E quando os herdeiros não concordam entre si?
A via passa a ser judicial, e o papel do advogado muda: além de organizar a partilha, passa a defender a posição de quem representa.
Vale registrar que muitos desacordos se resolvem antes de virar litígio, quando alguém explica com clareza o que a lei estabelece. Boa parte das brigas de inventário nasce de expectativa desalinhada, não de má-fé.
Perguntas frequentes
Inventário extrajudicial precisa de advogado?
Sim, sem exceção. O tabelião não lavra a escritura sem a assistência do profissional.
Inventário no cartório precisa de advogado?
Sim. “Inventário no cartório” e “inventário extrajudicial” são dois nomes para o mesmo procedimento.
Como são calculados os honorários do advogado?
Pela complexidade do caso: número de herdeiros, natureza e localização dos bens, e pendências documentais a resolver antes da partilha.
Quanto custa o advogado no inventário?
Não há valor único. O que mais influencia não é o tamanho do patrimônio, e sim a quantidade de etapas necessárias para chegar até a partilha.
A composição do custo está em quanto custa um inventário.
O que muda quando o inventário é judicial?
Some-se ao procedimento a tramitação perante o juízo, com custas processuais, prazos processuais e, em determinadas situações, a manifestação do Ministério Público.
Uma conversa antes de decidir
Se você está diante de um inventário e ainda não sabe qual via se aplica nem o que ela envolve, uma análise da documentação esclarece isso logo no início.
Sobre a autora
Tayane Tanello
Advogada inscrita na OAB/PR sob o nº 103.375. Bacharela e Mestra em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com especialização em Direito Empresarial e Direito Civil pela PUCPR. Integra as Comissões de Direito das Famílias e de Direito Sucessório e Holding da OAB/PR. Atua em direito de família, sucessões e planejamento patrimonial.
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