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Quanto custa um inventário em 2026: taxas, impostos e honorários

Não existe valor fixo. O custo de um inventário é a soma de três coisas — imposto, cartório e honorários — e as três variam conforme o valor dos bens e o estado onde eles estão.

O que dá para saber com precisão é como cada uma dessas parcelas se calcula. É disso que trata este texto.

Os três custos que compõem um inventário

Antes de qualquer número, vale entender a estrutura:

  • ITCMD — o imposto estadual sobre a transmissão da herança.
  • Emolumentos — o que o cartório cobra pelo ato, conforme tabela oficial.
  • Honorários advocatícios — a remuneração do profissional que conduz o inventário.

Nenhum dos três é tabelado nacionalmente. Por isso, quem oferece um valor fechado antes de ver a documentação está estimando, não calculando.

Os três partem da mesma base: o valor dos bens deixados. Definida essa base, o restante é aritmética.

Se você ainda não sabe qual via se aplica ao seu caso, comece por como funciona o inventário extrajudicial.

ITCMD: o imposto sobre a herança

O ITCMD é um imposto estadual que incide sobre a transmissão de bens por herança ou doação. Desde agosto de 2026, o CNJ revogou a exigência de recolhê-lo antes da lavratura da escritura. O imposto continua devido — o que caiu foi a ordem: ele deixou de ser condição para o cartório formalizar o inventário. Em contrapartida, a escritura passa a consignar a declaração das partes sobre a obrigação tributária ainda não quitada, e o ato é comunicado à Fazenda estadual. Atenção a uma etapa seguinte: o registro do imóvel na matrícula continua sujeito à fiscalização do tributo pelo oficial de registro.

A alíquota é definida por cada estado, e é aqui que mora a maior variação de custo entre um inventário e outro. A Emenda Constitucional 132/2023 tornou obrigatória a progressividade do imposto, o que levou os estados a revisarem suas legislações.

Na maior parte dos inventários, o ITCMD é o maior dos três componentes. É também o único que sofre acréscimo quando o prazo é perdido.

Emolumentos: o que o cartório cobra

Os emolumentos seguem a tabela da Corregedoria-Geral da Justiça de cada estado, organizada em faixas de valor. Quanto maior o patrimônio, maior a faixa.

Duas consequências práticas disso: não há negociação, e não adianta procurar um cartório mais barato dentro do mesmo estado. O valor é o mesmo em todos.

Vale lembrar que os emolumentos da escritura não incluem o registro posterior. O cartório de registro de imóveis cobra o seu próprio ato para transferir o bem ao nome dos herdeiros.

Honorários advocatícios

Os honorários variam conforme a complexidade do caso, e complexidade aqui tem significado concreto: número de herdeiros, tipos de bens, existência de patrimônio em mais de um estado e necessidade de regularizar alguma situação antes de partilhar.

Outro fator que costuma encarecer um inventário é a bagunça documental. Imóvel sem averbação de construção, empresa com contrato social desatualizado, conta conjunta sem definição clara — cada uma dessas pendências vira uma etapa a mais antes que a partilha possa sequer começar.

O inventário judicial custa mais que o extrajudicial?

Em regra, sim. Além dos mesmos impostos, o judicial soma custas processuais e um tempo de tramitação que se traduz em mais horas de trabalho.

Vale dizer que a escolha entre as duas vias raramente é uma escolha. Ela depende de requisitos legais, não de preferência.

Por que adiar aumenta o custo

A lei fixa um prazo, contado da data do falecimento, para que o inventário seja requerido. Perder esse prazo não impede o inventário — mas gera multa sobre o imposto.

Há ainda um efeito menos visível. A base de cálculo do imposto acompanha o valor dos bens, e imóveis tendem a se valorizar. Um inventário adiado por cinco anos incide sobre um patrimônio maior do que aquele que existia na data do falecimento.

E enquanto o inventário não se conclui, a família não pode vender, transferir ou dar em garantia nenhum dos bens. Em muitos casos, esse é o custo mais alto de todos — só que ele não aparece em nenhuma tabela.

Se você está lendo isso e o prazo já passou, a orientação é a mesma: regularizar hoje custa menos do que custará no ano que vem. Detalhamos esse cenário em inventário atrasado há anos.

Perguntas frequentes

Quanto custa um inventário extrajudicial?

Os mesmos três componentes — imposto, emolumentos e honorários — mas sem custas processuais. É, em regra, a via mais econômica quando os requisitos legais estão preenchidos.

Quanto custa o inventário feito no cartório?

O valor dos emolumentos segue a tabela oficial do estado, por faixa de patrimônio. Não varia de um cartório para outro dentro do mesmo estado.

Como são calculados os honorários do advogado no inventário?

Pela complexidade do caso: quantidade e tipo de bens, número de herdeiros, existência de patrimônio em outros estados e pendências documentais a regularizar antes da partilha.

O inventário usa valor venal ou valor de mercado?

Depende do critério adotado pela legislação estadual para a apuração do imposto. É uma definição relevante, porque muda diretamente a base de cálculo e, com ela, o valor final.

A formação dessa base está detalhada em valor do inventário extrajudicial.

Antes de estimar, calcule

Adiar um inventário por medo do custo é comum e compreensível. O problema é que a espera é justamente a variável que encarece.

Tayane Tanello, advogada

Sobre a autora

Tayane Tanello

Advogada inscrita na OAB/PR sob o nº 103.375. Bacharela e Mestra em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com especialização em Direito Empresarial e Direito Civil pela PUCPR. Integra as Comissões de Direito das Famílias e de Direito Sucessório e Holding da OAB/PR. Atua em direito de família, sucessões e planejamento patrimonial.

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